Operação investiga remédios falsos contra câncer no RS

A Polícia Civil deflagrou a Operação Placebo para investigar um grupo suspeito de fraudar a compra e fornecer medicamentos falsificados para pacientes com câncer no Rio Grande do Sul.

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Redação I

6/30/20263 min read

Operação mira fraude em remédios contra câncer

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Placebo para desarticular um grupo suspeito de fraudar a aquisição de medicamentos de alto custo e fornecer remédios falsificados contra câncer a pacientes no Rio Grande do Sul. A investigação aponta indícios de manipulação de processos judiciais, uso de empresas de fachada, fraude em orçamentos e comercialização de medicamentos com suspeita de adulteração.

As investigações identificaram, até o momento, 39 vítimas do esquema, incluindo pacientes que morreram durante o tratamento oncológico. Segundo a Polícia Civil, os fatos investigados colocam em risco não apenas os recursos públicos, mas principalmente a saúde e a vida de pessoas em tratamento contra o câncer.

Mandados foram cumpridos em diversos municípios

Durante a Operação Placebo, os policiais cumpriram 57 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva em cidades do Rio Grande do Sul, entre elas São Gabriel, Santa Maria, Canoas, Porto Alegre, Gravataí, Sapiranga, Campo Bom, Taquara, Rosário do Sul, Santa Cruz do Sul e Tramandaí. Também houve diligências em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.

Um empresário de São Gabriel, apontado como um dos principais articuladores do grupo, foi preso. Na residência dele, a polícia apreendeu caixas de medicamentos, suplementos alimentares e remédios sem identificação, alguns com indícios de adulteração e falsificação.

Investigação começou após suspeita em medicamento

A investigação teve início depois que uma farmacêutica da Santa Casa de São Gabriel identificou irregularidades em um lote do medicamento Enhertu, utilizado no tratamento de câncer de mama.

Segundo a apuração, as embalagens apresentavam diferenças em relação ao produto original, incluindo erros de grafia e características incompatíveis com o medicamento fabricado oficialmente. A suspeita levou ao aprofundamento das investigações pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul.

Esquema envolvia judicialização da saúde

Conforme a investigação, o grupo utilizava ações judiciais para obtenção de medicamentos de alto custo pagos com recursos públicos.

A Polícia Civil afirma que empresas ligadas entre si simulavam concorrência em orçamentos apresentados à Justiça, direcionando as compras para fornecedores vinculados ao grupo e elevando artificialmente os valores dos contratos. Além disso, há suspeitas de entrega parcial dos medicamentos e fornecimento de remédios falsificados contra câncer.

Entre os investigados estão empresários, advogados e um médico oncologista. Por determinação judicial, alguns investigados tiveram bens bloqueados e profissionais da área da saúde e do direito foram proibidos cautelarmente de exercer suas atividades enquanto as investigações prosseguem. As defesas dos envolvidos negam irregularidades.

Anvisa já havia emitido alerta

O medicamento Enhertu, que aparece nas investigações, já havia sido alvo de alerta da Anvisa após a identificação de unidades com características diferentes do produto original.

A fabricante informou que colabora com as autoridades e reforçou que os medicamentos devem ser adquiridos apenas por meio de distribuidores autorizados, garantindo a rastreabilidade dos produtos.

Investigação continua

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul segue analisando o material apreendido durante a Operação Placebo para identificar todos os envolvidos e dimensionar o impacto do esquema.

As autoridades também trabalham para localizar outras possíveis vítimas e esclarecer se medicamentos adulterados chegaram a ser utilizados em tratamentos oncológicos financiados com recursos públicos. O bloqueio de bens dos investigados ultrapassa R$ 2,5 milhões, conforme decisão judicial.

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